Uma grande figura da praça foi detida acusada de 231 crimes

 

CIDADÃO NACIONAL EM PRISÃO PREVENTIVA NA MACHAVA É ACUSADO DE 231 CRIMES

Encontra-se em prisão preventiva, na Cadeia de Máxima Segurança da Machava, um cidadão moçambicano acusado pelo Ministério Público de envolvimento em múltiplos crimes, sendo apontado como alegado líder e mentor de uma associação criminosa com ramificações em Moçambique e na África do Sul.


A acusação foi deduzida pelo Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional (GCCCOT), no âmbito do Processo n.º 185/GCCCOT/2024, no qual são imputados ao arguido 231 crimes de natureza diversa.


Entre os processos relacionados ao caso estão acusações de rapto e tentativa de homicídio de um Juiz de Direito do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, bem como alegadas ameaças de morte e difamação contra uma Juíza do mesmo tribunal, o seu marido, que é advogado, e respectivos familiares.


Segundo a investigação, o conflito com o magistrado terá começado depois de uma decisão judicial desfavorável ao arguido, no âmbito da Acção Especial de Entrega Judicial n.º 13/23-L. A partir daí, o Ministério Público diz ter identificado uma alegada campanha de perseguição, difamação e intimidação.


Os investigadores relatam que, na noite de 14 de Abril de 2025, o arguido e outros indivíduos terão raptado o juiz e levado a vítima para uma zona de mata no bairro Mulotana, na cidade da Matola, onde teriam simulado uma execução.


A acusação sustenta que a intenção seria tirar a vida do magistrado, mas que o homicídio não chegou a concretizar-se por circunstâncias alheias à vontade dos alegados autores.


Durante o episódio, segundo o processo, a vítima terá perdido dinheiro, aliança, telemóvel, computador e a própria viatura. Os suspeitos são ainda acusados de terem realizado levantamentos bancários utilizando os cartões do magistrado.


Outro episódio investigado terá ocorrido a 25 de Junho de 2025, quando o arguido se terá aproximado de uma Juíza de Direito num estabelecimento localizado na Avenida da Argélia, em Maputo.


De acordo com o GCCCOT, o arguido terá confessado a participação no rapto do juiz e proferido ameaças de morte contra a magistrada, o seu marido e familiares. A investigação cita uma ameaça na qual teria afirmado que iria “matar um por um”.


O Ministério Público afirma igualmente que a alegada campanha de intimidação foi acompanhada por publicações na página denominada “combat.a.corrupcao”, onde eram feitas acusações de corrupção judicial contra a juíza e o seu marido.


Para além dos processos relacionados com magistrados, o arguido é acusado de vários outros crimes. A acusação inclui 163 crimes de difamação e 35 crimes de injúria, além de denúncias caluniosas, burla, falsificação e utilização de documentos falsos, acesso ilegítimo, burla informática, falsidade informática e interferência em sistemas.


Constam ainda da acusação crimes relacionados com armas proibidas, tráfico e outras actividades ilícitas, tráfico de produtos minerais, tráfico de influência, coacção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.


O Ministério Público aponta igualmente o arguido como suspeito de integrar uma estrutura criminosa organizada com actividade em Moçambique e na África do Sul.


Outro episódio mencionado no processo envolve uma denúncia apresentada pelo próprio arguido no GCCCOT, na qual acusava dois cidadãos de tentativa de rapto da sua filha, então com seis anos de idade.


Contudo, a investigação realizada no Processo n.º 287/GCCCOT/25 concluiu, segundo a acusação, que a denúncia seria falsa. Um dos alegados comparsas terá confessado que o episódio foi supostamente encenado e descrito como uma “montagem” destinada a prejudicar pessoas consideradas adversárias pelo arguido.


A acusação sustenta que a própria filha teria sido utilizada para sustentar a narrativa apresentada às autoridades.


No total, o processo reúne acusações que abrangem 21 tipos de ilícitos, incluindo crimes contra pessoas, património, sistemas informáticos, administração da Justiça, fauna e flora, actividade mineira e matéria financeira.


Entre as acusações mais numerosas estão os 163 crimes de difamação e 35 de injúria. O processo inclui ainda três acusações de rapto, quatro de burla, três de falsificação de documentos, além de crimes de associação criminosa, branqueamento de capitais, fraude fiscal e tráfico de influência.


O arguido permanece em prisão preventiva enquanto o processo segue os seus trâmites judiciais. As acusações apresentadas pelo Ministério Público ainda deverão ser apreciadas pelas instâncias competentes, cabendo à Justiça determinar a responsabilidade criminal do cidadão.


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